Homenagem a todas mulheres que tiveram a audácia de se aventurar no automobilismo

Mulher no volante. Sucesso constante

O automobilismo, tradicionalmente visto como um"feldo" exclusivamente masculino. Algumas fantásticas mulheres desafiaram o "status quo" e abriram caminho para futuras gerações de pilotos. A primeira mulher a desafiar o domínio do patriarcado no automobilismo, foi a jornalista britânica Dorothy Levitt.

Em 1903, Doroty disputou a Southport Speed Trials; e sua aparição chocou o país, onde as mulheres ainda lutavam pelo direito de votar. Na ocasião ela tinha 22 anos, competiu com um Gladiator, da marca Napier & Son. Foi ela também quem ensinou a rainha Elisabeth II a dirigir: se destacou como uma defensora da segurança no automobilismo e inspirou muitas outras mulheres a seguirem seus passos.

A francesa Hellé Nice no final dos anos trinta despontou no cenário das corridas de GP, inclusive competindo no Brasil. Hellé se tornou famosa por ser o rosto nas propagandas da gasolina Esso. Outra mulher de destaque no automobilismo foi a italiana Maria Teresa de Filippis, que entre 1958 e 1959 disputou provas na Fórmula 1.

Ainda em 1930, as mulheres marcaram a história com a primeira dupla de mulheres na 24 Horas de Le Mans, com Odette Siko e Marguerite Mareuse se tornando a primeira dupla totalmente feminina a competir na prova, e já na estreia terminaram em sétimo lugar no geral. Dois anos depois, Odette fazia sua terceira participação e chegava ao seu melhor resultado: quarto lugar geral e a vitória na categoria 2 Litros. Odette foi a primeira de dez mulheres a vencer na história de Le Mans, sendo a mais recente em 1975 com as francesas Marianne Hoepfner e Michèle Mouton.

Com toda certeza uma mulher que merece um destaque especial é a francesa Michele Mouton, a primeira mulher a vencer uma etapa do WRC (World Rally Championship - Campeonato Mundial de Rally), em 1981. Mouton é uma lenda nas competições de rally, quebrou barreiras, e terminou juntamente com sua navegadora a italiana Fabrizia Pons, como vice-campeãs da temporada 1982 do WRC, perdendo o título por 12 pontos para o alemão Walter Röhrl, que temeu perder o Mundial para uma mulher. 

Abaixo a alemã Ellen Lohr 

Outra figura notável é alemã Ellen Lohr, que se destacou nas corridas de turismo e foi a primeira mulher a competir na DTM (Deutsche Tourenwagen Masters - Campeonato Alemão de Turismo)). Seu talento e coragem mostraram que as mulheres podem competir em alto nível em categorias de prestígio, desafiando a noção de que o automobilismo é um campo exclusivamente masculino. Lohr foi reconhecida como um piloto fantástico inclusive pelo brasileiro Ayrton Senna, quando disputou em 1984 uma prova em Nürburgring, no lançamento do Mercedes-Benz 190.

Muito antes de Michael Schumacher se tornar uma verdadeira lenda no automobilismo alemão, ele dividia os holofotes com Jutta Kleinschmidt. A alemã de Colônia, era uma das poucas que se atrevia a disputar o temido Rally Paris Dakar.

Ao volante de um Mitsubishi Pajero ela fez história conquistando a vitória na edição de 2001. Sua vitória não apenas destacou suas habilidades excepcionais, mas também reafirmou a ideia de que as mulheres podem se destacar em qualquer arena esportiva.
A esquerda a campeão do Dakar Jutta Kleinschmidt

Na Fórmula 1, mulheres não obtiveram sucessos expressivos, mas é preciso destacar a italiana Lella Lombardi, a única mulher a pontuar na categoria No outro lado do Atlântico a grande rival da Fórmula 1, é a IndyCar, mais conhecida como Fórmula Indy.

A presença de pilotos mulheres no automobilismo americano é bastante relevante, com destaque para as participações nas 500 Milhas de Indianápolis, onde Janet Guthrie foi a primeira, em 1977. A norte-americana Danica Patrick foi a primeira a liderar uma corrida da 500 Milhas, e terminou em terceiro lugar em 2009. Impossível não citar a participação da brasileira Bia Figueiredo, que competiu na IndyCar entre 2010 e 2013.

Abaixo a brasileira Bia Figueiredo

No Brasil a lista de mulheres piloto é extenso, com destaque para  Graziela Fernandes, que defendia a poderosa equipe Jolly Gancia nos anos 60, e pilotava muito. Outro nome de peso é da carioca Suzane Carvalho, que consquistou o título da Fórmula 3 Sul-Americana na classe Light, em 1192. O crescente número de mulheres no automobilismo é um testemunho da evolução do esporte e da luta pela igualdade.

Cada uma dessas mulheres, com suas conquistas, não apenas pavimentou o caminho para as futuras gerações, mas também provou que o talento e a paixão pelo automobilismo não conhecem limites. Com cada volta na pista, elas nos lembram que o céu é o limite e que as mulheres têm um lugar de destaque em todas as esferas do automobilismo.

Abaixo Graziela Fernandes

A todas um feliz Dia Internacional da Mulher

A direita Suzane Carvalho

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